A principal característica deste tipo de Transtorno é um período ininterrupto de doença durante o qual, em algum momento, existe Episódio Depressivo maior, Maníaco ou Misto, ou seja, tem como perturbação fundamental uma alteração do humor ou afeto usualmente para a Depressão ou Elação (alternância de euforia também chamada Mania e episódios de Depressão). A duração do Episódio Depressivo Maior deve ser de no mínimo 2 semanas, já a duração do Episódio Maníaco ou misto deve ser de pelo menos 1 semana. Porém, a duração mínima de um "Episódio Esquizoafetivo" (Transtorno Bipolar do Humor) é de 1 mês.

· Estima-se que aproximadamente uma em cada cem pessoas sofre com o Transtorno Bipolar do Humor (Esquizoafetivo).

· Transtorno Esquizoafetivo tipo "bipolar" pode ser mais comum em adultos jovens, enquanto o Transtorno Esquizoafetivo, tipo "depressivo", pode ser mais comum em adultos mais velhos. Comparando com a Esquizofrenia, o Transtorno Esquizoafetivo provavelmente ocorre com maior freqüência em mulheres.


O Transtorno Esquizoafetivo, além de manifestar uma sintomatologia esquizofrênica típica, apresenta também sinais e sintomas de transtornos afetivos com depressão e euforia. Há atualmente um sério problema conceptual acerca desta psicose: há dúvidas se é um subtipo de Esquizofrenia com sintomatologia afetiva ou, ao contrário, se é um Transtorno Afetivo atípico com sintomatologia esquizofrênica. Poderia ainda tratar-se de uma psicose distinta, tanto da esquizofrênica quanto da psicose afetiva.
A mais recente concepção do Distúrbio Esquizoafetivo recomenda considerarmos o paciente como portador de uma esquizofrenia com sintomas afetivos em alguns casos ou, em outros, como portador de um distúrbio do humor com sintomas esquizofrênicos, portanto, propõe a existência de um grupo heterogêneo com dois tipos de alteração.
Os sinais e sintomas do Transtorno Esquizoafetivo incluem todos aqueles encontrados na esquizofrenia, na depressão e na mania, juntos ou alternadamente, com delírios congruentes ou não ao humor.


Características Gerais

1. Mania


O paciente em Mania apresenta aceleração dos processos psíquicos e sensação de bem estar geral e aumento da energia, com humor expansivo ou irritável acompanhado de falta de crítica do estado mórbido. Sua identificação depende da gravidade do quadro e da capacidade de adaptação profissional e familiar sendo estes os que costumam ser responsáveis pela procura do médico, uma vez que o paciente não tem queixas, a não ser que sinta incomodado pela própria irritabilidade ou insônia.
O paciente torna-se desinibido e modifica sua aparência. Passa a trajar-se de modo extravagante ou mesmo descuidado, com cores vivas, acessórios bizarros. Demonstra impaciência (irritabilidade), autoconfiança e irradia energia incomum.
O humor é expansivo, com alegria, irritação ou elação, e um fundo de excitação. O estado de humor é lábil, podendo se alterar abruptamente; o paciente irrita-se com facilidade e se torna provocativo, ou então chora no caso de um evento triste, mas prevalece uma elação incontrolável.
Sentimentos predominantes de bem-estar, força e segurança são substituídos repentinamente por raiva com agressividade, as mesmas desaparecendo em seguida por serem superficiais e dependentes das mudanças de estímulos e da aceleração psíquica. Tais sentimentos podem ser incômodos quando associados ao sofrimento da irritabilidade e falta de controle.
O pensamento acelera-se e existe a sensação subjetiva de "aumento de velocidade" no fluxo das idéias. O maníaco torna-se falante (logorréico), cheio de planos e idéias novas. O extremo dessa aceleração é a fuga de idéias, alterações em que a fala e o pensamento são controlados menos pelo significado e mais por associações por assonância ou continuidade com quaisquer estímulos que atrairiam a atenção dispersa do paciente, dificultando a compreensão do discurso.
Informações recentes e lembranças do passado vêm à mente em grande quantidade e com rapidez incomum, caracterizando hipermnésia. Consciência, orientação, inteligência e memória não são prejudicadas, pelo contrário, aumento e rapidez de acesso às informações armazenadas e logorréicas com freqüência fazem o paciente parecer ou sentir-se mais inteligente ou ter raciocínio mais claro. Quanto ao conteúdo do pensamento, prevalecem idéias de grandeza, poder, riqueza, inteligência.
A alteração básica da atenção é a distraibilidade, que interfere em toda a atividade.
Alterações sensoperceptivas e idéias deliróides predominam na mania delirante, podendo ocorrer também em quadros menos graves.
Na mania psicótica, ilusões e alucinações visuais e auditivas são comuns, estando associadas à delírios de grandeza e paranóides.
O paciente pode estar somente inquieto, falante ou gesticulante, como também pode apresentar a agitação psicomotora com agressividade física e/ou verbal.
A insônia é caracterizada por redução da necessidade de sono e é o sintoma físico mais comum. Poucas horas são suficientes para que hajam retorno à hiperatividade prévia. Queixas hipocondríacas são raras, mas podem ocorrer. Em geral, o paciente tem aumento da libido, manifestada por discurso erotizado e sedutor ou aumento da atividade sexual, freqüentemente indiscriminada e irresponsável, sem pensar nas conseqüências. Pode haver perda de peso em pacientes que se esquecem de comer. Às vezes, o humor apresenta variação circadiana, como pode ocorrer na Depressão, piorando pela manhã e melhorando à tarde.
A forma clínica atenuada da Mania é denominada de Hipomania, cuja a alteração básica do humor é a mesma, prevalecendo irritabilidade/impaciência em detrimento da elação propriamente dita. É raro o paciente necessitar de internação, comum em fase de Mania. A capacidade de adaptação é maior porque a hiperatividade pode ser canalizada para atividade produtiva, a ponto de trazer benefícios reais, aumento da autoconfiança e criatividade, capacitando-o à realização de coisas impossíveis em estado normal. Desinibição e aumento da impulsividade ainda podem ser controladas, desde que não haja comprometimento da auto crítica ou ela seja parcial. De um modo geral as conseqüências sociais não são tão graves como na Mania, mas também podem de início haver indiscrições sociais e financeiras, endividamento ou brigas e discussões, tornando a convivência difícil. Por outro lado, os pacientes tendem a ser otimistas, auto-confiantes e muito ativos, com múltiplos interesses e objetivos.

2. Depressão (saiba mais >>>)


A pessoa deprimida sente-se incapaz, desinteressada pelas coisas, com sua energia vital diminuída. Os sentimentos são tantos e tão confusos que às vezes tem-se a impressão de que se está "anestesiado", sem sentimentos. Pode haver tristeza intensa, choro fácil, irritação com pequenos problemas, sensação de menos valia, vontade de abandonar tudo e todos. As atividades antes feitas naturalmente, como tomar banho, vestir-se, cuidar de suas coisas, dar conta dos compromissos, agora são feitas com um esforço enorme.
O indivíduo fica desleixado, tudo perde a importância. Perde-se o sentido de viver. O apetite muda (ou para mais ou para menos), os hobbies preferidos, os amigos, o sexo, tudo perde a graça. Há alterações no padrão de sono - a insônia é comum, mas muitos queixam-se de sono e cansaço excessivos. Geralmente o deprimido prefere o isolamento, um lugar quieto onde possa ficar só com suas tristezas. O pensamento pode estar confuso, pois os sentimentos estão exacerbados, mas o indivíduo tem consciência do seu sofrimento e do sofrimento que causa; não consegue encontrar um motivo que justifique esta tempestade emocional ( "meu marido é bom, meus filhos lindos ..." ), ao mesmo tempo que não consegue reagir a esta tendência interior.

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3. Transtorno Afetivo Bipolar


Este Transtorno é caracterizado por episódios repetidos (isto é, pelo menos dois) nos quais o humor e os níveis de atividade do paciente estão significativamente perturbados. Esta alteração consiste em algumas ocasiões de uma elevação do humor e aumento de energia e atividade denominada de Mania ou Hipomania e em outras de rebaixamento do humor e diminuição de energia e atividade denominada de Depressão.
Os episódios maníacos usualmente começam abruptamente e duram entre duas semanas a 4-5 meses com duração mediana ao redor de quatro meses. Nesta fase, o sujeito apresenta excitação verbomotora expressando tudo o que pensa, tem instabilidade nas suas atividades psíquicas, adota atitudes altivas e dominadoras. Sua afetividade exaltada engendra neles idéias delirantes (idéias de grandeza, de invenção). A excitação se generaliza e aumenta desproporcionadamente mantendo uma extratensão que o leva a atuar sobre o ambiente social que o rodeia. Toma iniciativa para empreender toda classe de reformas demonstrando uma atividade eufórica desmensurada, criando com isso conflitos, enredos e perturbações. Desenvolve uma agressividade que pode até adquirir periculosidade social.
Os episódios depressivos tendem a durar mais tempo que os da Mania, com duração mediana ao redor de 6 meses, embora raramente por mais de um ano, exceto em idosos. Esta fase se caracteriza por acentuada tristeza e melancolia, com aumento da inibição, bloqueio da afetividade, mantendo-se fechado e intratensivo, com lentidão nas associações de suas idéias e com motricidade diminuída. Existe uma perda de auto-estima acompanhada de auto acusações e recriminações que podem chegar até ao suicídio.
Episódios de ambos os tipos freqüentemente se seguem a eventos da vida estressantes ou outros traumas mentais, mas a presença de tal estresse não é essencial para o diagnóstico. O primeiro espisódio pode ocorrer em qualquer idade, da infância à velhice. A freqüência de episódios e o padrão de remissões e recaídas são ambos muito variáveis, ainda que as remissões tendam a tornar-se mais breves com o passar do tempo e as Depressões a tornarem-se cada vez mais comuns e a ter maior duração depois da meia idade.
Como os pacientes que sofrem somente de episódios repetidos de mania são comparativamente raros e se assemelham àqueles que têm também pelo menos episódios ocasionais de Depressão, tais pacientes são classificados como Bipolares. As semelhanças entre os episódios maníaco e o depressivo se dão em sua história familiar, personalidade pré-mórbida, idade de início e prognóstico a longo prazo.
Embora o conceito original de "Psicose Maníaco Depressiva" também incluam pacientes que sofriam apenas de Depressão, o termo "Transtorno" ou "Psicose Maníaco Depressiva" é agora usado principalmente como um sinônimo para Transtorno Bipolar.

Sintomas


Episódios Maníacos Sem Sintomas Psicóticos


- humor elevado;
- aumento na quantidade da atividade física e mental;
- jovialidade despreocupada;
- excitação quase incontrolável;
- elação acompanhada por um aumento de energia;
- hiperatividade;
- pressão para falar;
- diminuição da necessidade de sono;
- inibições sociais são perdidas;
- atenção não sustentada;
- distraibilidade marcante;
- auto-estima inflada;
- idéias super otimistas;
- gasto irresponsável com dinheiro;
- pode tornar-se agressivo ou amoroso em circunstâncias inapropriadas;
- em alguns episódios: humor irritável e desconfiado.


Hipomania


- elevação leve e persistente do humor;
- aumento de energia e atividade;
- perda de peso;
- sentimentos marcantes de bem estar e de eficiência física e mental;
- sociabilidade aumentada;
- loquacidade;
- familiaridade excessiva;
- aumento da energia sexual;
- diminuição da necessidade de sono;
- irritabilidade;
- comportamento presunçoso e grosseiro podem tomar o lugar da sociabilidade eufórica mais usual;
- concentração e atenção comprometidas;
- diminuição da capacidade de se fixar no trabalho;
- aparecimento do interesse em aventuras;
- gastos excessivos (mais leves do que o quadro de mania).


Mania Com Sintomas Psicóticos


- auto-estima inflada;
- idéias grotescas podem evoluir para o delírio;
- irritabilidade e desconfiança podem evoluir para delírios de perseguição;
- casos graves: delírios grandiosos ou religiosos de identidade;
- fuga de idéias e pressão para falar podem tornar o indivíduo incompreensível;
- aumento da atividade física e excitação pode resultar em agressão ou violência;
- negligência com alimentação e higiene pessoal pode resultar em desidratação;
- delírios ou alucinações congruentes ou incongruentes com o humor;
- pico da doença: delírios difusos, discurso incompreensível e excitação violenta;
- perturbação do afeto.


Episódio Depressivo


- concentração e atenção reduzidas;
- auto-estima e auto-confiança reduzidas;
- idéias de culpa e inutilidade;
- visões deslocadas e pessimistas do futuro;
- idéias ou atos auto-lesivos ou suicídio;
- sono perturbado;
- apetite diminuído, perda de peso;
- perda de interesse e prazer em atividades antes agradáveis;
- falta de reatividade emocional;
- depressão pior pela manhã;
- evidência de retardo psicomotor;
- marcante perda da libido.


Episódios Depressivos Graves Com Sintomas Psicóticos


- delírios, alucinações ou estupor depressivo;
- delírios, com idéias de pecado, pobreza ou desastres onde o paciente se responsabiliza;
- alucinações auditivas de vozes difamatórias ou acusativas, ou alucinações olfativas de sujeira apodrecida ou carne em decomposição;
- retardo psicomotor pode evoluir para estupor.


Tratamento


O Transtorno Bipolar do Humor (TBH) ainda não tem cura, mas pode, na maioria dos casos, ser controlado com medicamentos, a exemplo do lítio, associado à Psicoterapia. Nada impede que o paciente, devidamente acompanhado, leve uma vida absolutamente normal, feliz e produtiva. A família precisa saber o que é e como se trata este transtorno. É muito importante a integração entre médico, família e paciente.

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Neto, Mário Rodrigues - Psiquiatria Básica - ed. artes médicas; CID-10:Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas - http://www.nib.unicamp.br/svol/depress2.htm

Transtorno Bipolar do Humor (Esquizoafetivo)
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